"As vezes falta rumo e sobra perna, o jeito é andar".

domingo, 13 de abril de 2014




"De uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer apressar as coisas. Tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto. Mas a natureza humana não é muito paciente. Temos pressa em tudo! Aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer: - Mas qual é esse tempo certo? Bom, basta observar os sinais. Geralmente quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, Pequenas manifestações do cotidiano, enviarão sinais indicando o caminho certo. Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer. Mas com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da situação ou da pessoa certa! Basta você acreditar que nada acontece por acaso! E talvez seja por isso que você esteja agora lendo essas linhas. Tente observar melhor o que está a sua volta. Com certeza alguns desses sinais já estão por perto, e você nem os notou ainda. Lembre-se que o universo, sempre conspira a seu favor, quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento."
....Joanna de Ângelis....

segunda-feira, 24 de março de 2014


Que no outono eu seja árvore – que ao perder as folhas, Deus me encha de asas!
Amém!
Miryan Lucy

sexta-feira, 14 de março de 2014




Quando perco o sono fico costurando flores por dentro dos sonhos, no viés do vestido da noite. Às vezes me dá uma vontade crua de ser triste só pra encharcar com lágrimas de sal a poesia e espantar as abelhas. Mas não aprendi amargura nem quando me amamentaram com fel.

Eu só preciso pingar duas gotas de lua nos meus olhos pra dilatar a pupila e resgatar minha inocência. E aceitar com ternura minha vida de insônias, ardências e alguns (des)encontros.

Estou com sede de mudanças, mas não quero arrastar os móveis, nem desentortar os quadros. Quero desabitar meus hábitos; entrar na poeira estagnada das coisas e assoprá-la no vento como quando se liberta um passarinho depois de curar sua asa machucada.

Pra estar feliz eu só preciso deixar que meus dedos dancem a coreografia do poema novo, vestir as palavras de cetim pra seduzir o moço e aumentar as exclamações do seu desejo.
Amanhecer é da competência dos dias.O poeta tece a paisagem.

(Marla de Queiroz






Sentou-se à beira-mar pra entender o vento. De onde vinha, pra onde ia. Que segredos trazia, se respostas e acalantos o vento oferecia e levava embora consigo. 
Refletia os sorrisos de ontem, as vontades de hoje, a incerteza do amanhã. 
Embaralhava suas memórias, seus quereres e expectativas ao passo que a brisa do mar tocava seu rosto e beijava seus ouvidos.
A moça queria tudo. Queria entender os mistérios do tempo e desvendar suas fases. Os motivos dos tombos, as certezas das escolhas, as lágrimas de estafa.
Não percebia as transições, julgava os dias iguais, não enxergava as respostas tão óbvias preocupada demais com os dias de amanhã.
Não entendia que fases foram feitas pra passar.
Na cegueira, fugiam-lhe os detalhes que a transportavam de um período a outro. A notícia que chega, o abraço recebido, a segunda chance, a força desconhecida, a palavra entoada, os planos arquitetados, os caminhos percorridos, os desafios superados, as dores que ensinam, os sorrisos que curam, os obstáculos transpostos, os desejos, as verdades, os recomeços. O simples despertar num dia novo.
Distraída, não percebia nada. Mas se sabia errada.
Num gesto furtivo, olhou pro céu e viu a lua que chegava. Nova. Aceitou o sinal.
Num salto, molhou os pés e se despediu da beira-mar. Foi sem saber o que aquelas ondas acabavam de lhe ensinar. As minúcias do tempo dando sinal a cada chegada e retorno das ondas. O movimento contínuo e, no entanto renovado. Ondas que vinham e voltavam, quebravam e reconstruíam, brindavam e arrastavam. E misturavam sonhos e ciclos as ondas inquietas do mar.
A moça não sabia mas o vento anunciava que uma nova fase acabara de chegar. A moça em breve descobriria que seus passos e seu coração (re)começavam a mudar.
Ela não sabia mas correu dali pra se entender com o tempo.

Yohana Sanfer



A menina que mora em mim por vezes me visita para dar uma olhada na minha realidade. Em algumas dessas vezes sorri de boca inteira como se se olhasse em um espelho. Outras, me encara com estranheza e arrepio. É quando estou longe do caminho das flores.
A menina que mora em mim me acorda a noite. E de manhã continua no berço como se nada tivesse acontecido. É ela que guarda o meu tesouro no seu colo de criança: esperança e fé. E é por isso que quando me perco dela, ela corre de novo pelo caminho, catando as flores dos quintais e as derrama todas em cima de mim. Esse é o seu jeito de dizer: Acorda, mulher! Volta pro seu jardim!
Miryan Lucy


domingo, 9 de março de 2014








Certas tristezas doem mais porque vêm com uma delicadeza infinita. É como se, no lugar do grito, apenas o seu peito espremido, mas mudo. O choro não é contido, mas a voz embargada. A lágrima fica presa na sua expressão e os olhos lânguidos,meio adoecidos, uma beleza de fragilidade na feição. 

Certas tristezas são muito discretas. Seus hematomas são familiares, suas fraturas não são expostas. E, de tão explícitas, pouco se mostram. Você fica melancólica, distante, quase indiferente ao resto de tudo. Você sabe que vai passar, mas naquele momento não acredita: de tão inapetente, apenas contempla sem saborear a escuridão cobrindo o mundo. É dor que dói em silêncio sem o alvoroço da aflição: espécie de tristeza concisa.

É tristeza que dá sono, o cansaço prematuramente perdoado. A vontade de se recolher e se acolher por ter algo que nem ao menos possa ser compartilhado.

Certas tristezas vêm como a fotografia de uma árvore frondosa e solitária... 
Numa paisagem bonita.

Certas tristezas grudam em nós à espera de uma boa notícia.

Marla de Queiroz 









quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

2014

imagem meus momentos Beline (em alto mar)
O Ano Novo parece criança que ganha presente.
Vem cheio de expectativas e nos emociona com suas possíveis surpresas.
O Ano Novo parece menino que acaba de nascer e a gente de tão orgulhosa fica sem saber muito bem como cuidar dele.
O Ano Novo parece muita coisa:
Parece doce que a vovó fez, e a gente fica espreitando seu descuido para pôr o dedinho no tacho.
Parece sorvete na mãos dos outros despertando nossa vontade; parece noite de baile – antes do baile.
Parece frio na barriga diante do primeiro amor.
Parece a constatação da nossa inexperiência,quando ainda trememos e tememos os outros amores.
Parece Festa de São João: pipoca, quadrilha, quentão...
Laço, fita, coração.
Parece presente.
E é presente que se ganha.
Que a gente saiba desembrulhá-lo com carinho, com jeitinho. Descobrindo nas horas, nos dias, nos meses, os mistérios, as belezas, a poesia escondida nos segundos que tecem a vida.
Enfim, tudo que há de bom neste tão Novo Ano Bom!
Miryan Lucy

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013


Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013




" Querido Noel, Dezembro está se afastando num impulso frenético. O caminho pra 2014 parece assolado por uma névoa branca. São respingos de um novo começo.
Há uma janela em meus olhos e uma porta de saída localizada no peito. Posso entrar novamente no passado e me deixar perder, ou posso fazer melhor, pular a janela dos olhos e deixar que minha alma negocie um caminho direcionado para novas conquistas.
É isso, Noel. Espero que dentro do seu saco de presentes tu encontres um recomeço bem bonito pra mim. Não precisa enfeitar muito, com fitas coloridas e papel de seda, embrulha num suspiro de vida, sopra em minha direção e eu agarro forte.
Se preferir coloca meu futuro/presente na caixinha do correio. Deixe lá a minha passagem para um futuro bom, meu passaporte de riso e a tolerância que as lágrimas me desencorajaram de sentir.
Que amanhã ou depois eu ainda possa acreditar, que eu possa retomar o que me foi tirado, com a mesma proporção de amor que eu guardo neste meu coração coberto de imaginação.
Não se renda, bom velhinho, à todas as chantagens voltadas pro desânimo que ronda os corações. É Natal, tempo de redenção e compaixão. Prepare as tuas renas e venha cantar Noite Feliz."
Sem mais, Noel! Beijo na barba branca.
(D. A)

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013








Dorme Dona Lua
A noite já não é sua
O dia já diz que vem
Repousa a cabeça cansada
Na beira da alvorada
Diz ao sol do amor que tem!
E não se esqueça Dona Lua
Que a minha varanda é sua
E também é do meu bem.
Aquele bem tão distante
Que não entendeu que o instante
tem por destino passar.
Amanhã de novo, lua,
volta pro meio da rua
Como eu volto o meu olhar
Pra tudo que é canto buscando
a ternura, o encanto, que eu dei
Mas ele não veio buscar!
Não se esqueça Dona Lua,
amanhã a noite é sua
Não é hora de minguar
Apareça linda e cheia
Ilumina a terra inteira
E dentro da minha algibeira
Guarde um raio do seu luar
Passe naquela varanda
onde plantei esperança
Mas nunca lá pude pisar.
Enquanto isso eu aprendo
com as fases que você tem
Se eu mínguo, eu também cresço,
me renovo 
E em cada cheia
Volto inteira
E sempre 
Amém!
Miryan Lucy

domingo, 20 de outubro de 2013




Poesia é admirável
é sonhar acordado
é ser amigo do pensar
poesia é contar segredos da alma
é dizer com calma
tudo que queremos falar.

Poesia
é falar das dores
dos mistérios da vida
dos amores
é fantasiar...

poesia
é dançar balé
é conduzir a alma
para onde se quer.

Poesia
vem assim de repente
parece que o vento sopra no ouvido da gente
toda saudade, verdade, canção
palavras doces que vem do coração
poesia é vida, realidade, criação.

Parabéns a todos os poetas pelo seu dia!