"As vezes falta rumo e sobra perna, o jeito é andar".

domingo, 29 de junho de 2014






Conheço pessoas que se acham melhores e superiores. Outras, que passaram anos em cama de hospital e não perderam a fé na vida e revisaram seus conceitos. Há aqueles que não atam nem desatam, esperando providência divina. Eu sou do grupo dos quietos. Que observam, que admiram aqueles que tiveram força para suportar uma doença ou uma fatalidade emocional, que quer aprender com exemplos positivos, que se resigna quando sabe que não pode ser além do que o chapéu alcança por questões de maturidade. Posso ser lenta, parecer preguiçosa, com ares de desinteresse. Mas, acredite: tenho fome de vida. A diferença está na forma com que olho para as coisas. Meu olhar me ensina, é o livro que abro diariamente para aprender com a vida.
Aryane Silva







'Insight é quando o coração entende o que a cabeça já sabia, é quando a cabeça compreende o que o coração intuía. É o click, é a peça que faltava, é ficha caindo, é tela pintada. É círculo que se fecha, véu que rasga, algemas que se rompem. Insight é fim, é começo, é sentar ao pé da estrada e ver o que jamais foi escondido, é lupa, visão, clareza, fio de relâmpago, luz inesperada, é choque é espanto sem hora marcada. É fim de ruídos, momento, mudança, escolha e possibilidade de por fim a lógica da reprodução. É dor e alívio de aterradora beleza, é o tempo, o momento, a mudança profunda, não planejada. Insight é a chave da verdadeira transformação.'
Andréa Beheregaray

sábado, 28 de junho de 2014





Supor resolvido aquilo que jogamos para baixo do tapete ou trancamos em algum quarto distante da memória é o tipo de autoengano que a consciência comete e que, cedo ou tarde, o sintoma manda a conta. Rege a lei do inconsciente que tudo que evitamos faz compromisso com a dor e escapa por outras fendas, ruído permanente, eis o retorno do recalcado. 

Tudo o que fica pendente faz nó na linha da vida e dique nas emoções. Sem fluxo de energia a vida seca, adoece, vira angustia e depressão. Emoções fraturadas, traumas, marcas, culpas adoecem a alma. Colocar reticências onde deveríamos colocar pontos finais prolonga sofrimentos desnecessários. Algumas situações precisam ser enfrentadas e resolvidas para que possamos seguir em frente mais leves e inteiros. 

Andréa Beheregaray.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Antes que o outono acabe
Meu amor,
Os ipês rosa já floriram e suas flores têm pousado no chão em que pisas.
Meu amor,
O céu anda dando recados cada vez mais azuis.
Meu amor,
Há bandeirinhas enfeitando os quintais.
Já é junho, meu amor.
A festa dos santos já quase finda. Se não fosse por São Pedro a magia já teria chegado ao final.
Mas, ouça: há sons de quadrilha nas praças e as saias de chita rodopiam ainda com suas rosas ao vento.
É outono, meu amor.
Ainda é outono, e as possibilidades de luzes são tantas...
Cada folha que se desprende da árvore é promessa de renovação.
Revelações em toda a natureza.
Há uma canção a ser feita, meu amor.
Uma poesia tece versos ainda ocultos.
Há silêncios e palavras se juntando em presságios.
Meu amor, o tempo das esperas pede encontros.
Jardins e jardineiros sempre se juntam no final.
E as estações se sucedem deixando o recado: tudo tem seu tempo.
Haverá tempo, meu amor?
É outono. É junho. Os ipês rosa abrirão caminho para os amarelos, que estenderão tapetes para a singeleza dos brancos: uma delicadeza tão efêmera, meu amor.
Lembra?
Eles não tardarão a chegar. E duram apenas um dia...

Miryan Lucy

domingo, 11 de maio de 2014



Decidiu ser feliz assim: se despedindo de alguns hábitos, pessoas, desocupando lugares que lhe davam a extrema sensação de estar na contramão da alegria. Sua infelicidade era composta por coisas simples, mas simbólicas: uma cama alheia convidativa, mas que esvaziava o seu espaço. Uma pessoa sedutora, mas que lhe roubava a individualidade e determinava seu estado de espírito. Sua consciência esclarecia a precisa carência em que vivia. A inanição de afetos: abandonou seu espaço de criação e o momento de solitute, os prediletos. Mas bateu um cansaço mental e físico tão absolutos que teve a sensação de que, se não decidisse ser feliz naqueles exatos cinco minutos, quando o seu corpo se sentisse realmente deitado e sua mente silenciasse, nunca mais sairia daquela posição, daquele estado. E era preciso continuar. Então, a felicidade começaria ali, com um simples repouso de tudo, de todos, de uma parcela de mundo.
(Marla de Queiroz*

sábado, 10 de maio de 2014



Tenho mais silêncios do que segredos. Sou apenas uma resposta atrasada de alguém, a canção inapropriada da madrugada, o livro mais demorado de alguma estante. Sobre mim apenas o distante, o toque que não alcança, a muralha que divide. Ontem eu fui uma menina que fui roubada de sonhos, uma mulher que amadureceu das precipitações sobrepostas. Nem sempre a vida é justa, nem sempre nos devolve as respostas e passamos sendo apenas interrogações. Não tenho conversas interessantes, antes sou um poço de irrelevantes poemas. Tracei um caminho, mas caminhei por um desvio, sempre a própria beira. Não ofereço nada, do pó que vim, morrerei voando em poeira. O que deixarei saber sobre mim é que de alguma forma tenha amado a vida ou alguém, sem detalhes além. Uma mulher não diz quem escolheu para amar. Ela vive um amor a dois, a sós.


<3 eterna saudade...mamys  <3 

domingo, 13 de abril de 2014




"De uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer apressar as coisas. Tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto. Mas a natureza humana não é muito paciente. Temos pressa em tudo! Aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer: - Mas qual é esse tempo certo? Bom, basta observar os sinais. Geralmente quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, Pequenas manifestações do cotidiano, enviarão sinais indicando o caminho certo. Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer. Mas com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da situação ou da pessoa certa! Basta você acreditar que nada acontece por acaso! E talvez seja por isso que você esteja agora lendo essas linhas. Tente observar melhor o que está a sua volta. Com certeza alguns desses sinais já estão por perto, e você nem os notou ainda. Lembre-se que o universo, sempre conspira a seu favor, quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento."
....Joanna de Ângelis....

segunda-feira, 24 de março de 2014


Que no outono eu seja árvore – que ao perder as folhas, Deus me encha de asas!
Amém!
Miryan Lucy

sexta-feira, 14 de março de 2014




Quando perco o sono fico costurando flores por dentro dos sonhos, no viés do vestido da noite. Às vezes me dá uma vontade crua de ser triste só pra encharcar com lágrimas de sal a poesia e espantar as abelhas. Mas não aprendi amargura nem quando me amamentaram com fel.

Eu só preciso pingar duas gotas de lua nos meus olhos pra dilatar a pupila e resgatar minha inocência. E aceitar com ternura minha vida de insônias, ardências e alguns (des)encontros.

Estou com sede de mudanças, mas não quero arrastar os móveis, nem desentortar os quadros. Quero desabitar meus hábitos; entrar na poeira estagnada das coisas e assoprá-la no vento como quando se liberta um passarinho depois de curar sua asa machucada.

Pra estar feliz eu só preciso deixar que meus dedos dancem a coreografia do poema novo, vestir as palavras de cetim pra seduzir o moço e aumentar as exclamações do seu desejo.
Amanhecer é da competência dos dias.O poeta tece a paisagem.

(Marla de Queiroz






Sentou-se à beira-mar pra entender o vento. De onde vinha, pra onde ia. Que segredos trazia, se respostas e acalantos o vento oferecia e levava embora consigo. 
Refletia os sorrisos de ontem, as vontades de hoje, a incerteza do amanhã. 
Embaralhava suas memórias, seus quereres e expectativas ao passo que a brisa do mar tocava seu rosto e beijava seus ouvidos.
A moça queria tudo. Queria entender os mistérios do tempo e desvendar suas fases. Os motivos dos tombos, as certezas das escolhas, as lágrimas de estafa.
Não percebia as transições, julgava os dias iguais, não enxergava as respostas tão óbvias preocupada demais com os dias de amanhã.
Não entendia que fases foram feitas pra passar.
Na cegueira, fugiam-lhe os detalhes que a transportavam de um período a outro. A notícia que chega, o abraço recebido, a segunda chance, a força desconhecida, a palavra entoada, os planos arquitetados, os caminhos percorridos, os desafios superados, as dores que ensinam, os sorrisos que curam, os obstáculos transpostos, os desejos, as verdades, os recomeços. O simples despertar num dia novo.
Distraída, não percebia nada. Mas se sabia errada.
Num gesto furtivo, olhou pro céu e viu a lua que chegava. Nova. Aceitou o sinal.
Num salto, molhou os pés e se despediu da beira-mar. Foi sem saber o que aquelas ondas acabavam de lhe ensinar. As minúcias do tempo dando sinal a cada chegada e retorno das ondas. O movimento contínuo e, no entanto renovado. Ondas que vinham e voltavam, quebravam e reconstruíam, brindavam e arrastavam. E misturavam sonhos e ciclos as ondas inquietas do mar.
A moça não sabia mas o vento anunciava que uma nova fase acabara de chegar. A moça em breve descobriria que seus passos e seu coração (re)começavam a mudar.
Ela não sabia mas correu dali pra se entender com o tempo.

Yohana Sanfer



A menina que mora em mim por vezes me visita para dar uma olhada na minha realidade. Em algumas dessas vezes sorri de boca inteira como se se olhasse em um espelho. Outras, me encara com estranheza e arrepio. É quando estou longe do caminho das flores.
A menina que mora em mim me acorda a noite. E de manhã continua no berço como se nada tivesse acontecido. É ela que guarda o meu tesouro no seu colo de criança: esperança e fé. E é por isso que quando me perco dela, ela corre de novo pelo caminho, catando as flores dos quintais e as derrama todas em cima de mim. Esse é o seu jeito de dizer: Acorda, mulher! Volta pro seu jardim!
Miryan Lucy


domingo, 9 de março de 2014








Certas tristezas doem mais porque vêm com uma delicadeza infinita. É como se, no lugar do grito, apenas o seu peito espremido, mas mudo. O choro não é contido, mas a voz embargada. A lágrima fica presa na sua expressão e os olhos lânguidos,meio adoecidos, uma beleza de fragilidade na feição. 

Certas tristezas são muito discretas. Seus hematomas são familiares, suas fraturas não são expostas. E, de tão explícitas, pouco se mostram. Você fica melancólica, distante, quase indiferente ao resto de tudo. Você sabe que vai passar, mas naquele momento não acredita: de tão inapetente, apenas contempla sem saborear a escuridão cobrindo o mundo. É dor que dói em silêncio sem o alvoroço da aflição: espécie de tristeza concisa.

É tristeza que dá sono, o cansaço prematuramente perdoado. A vontade de se recolher e se acolher por ter algo que nem ao menos possa ser compartilhado.

Certas tristezas vêm como a fotografia de uma árvore frondosa e solitária... 
Numa paisagem bonita.

Certas tristezas grudam em nós à espera de uma boa notícia.

Marla de Queiroz 









quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

2014

imagem meus momentos Beline (em alto mar)
O Ano Novo parece criança que ganha presente.
Vem cheio de expectativas e nos emociona com suas possíveis surpresas.
O Ano Novo parece menino que acaba de nascer e a gente de tão orgulhosa fica sem saber muito bem como cuidar dele.
O Ano Novo parece muita coisa:
Parece doce que a vovó fez, e a gente fica espreitando seu descuido para pôr o dedinho no tacho.
Parece sorvete na mãos dos outros despertando nossa vontade; parece noite de baile – antes do baile.
Parece frio na barriga diante do primeiro amor.
Parece a constatação da nossa inexperiência,quando ainda trememos e tememos os outros amores.
Parece Festa de São João: pipoca, quadrilha, quentão...
Laço, fita, coração.
Parece presente.
E é presente que se ganha.
Que a gente saiba desembrulhá-lo com carinho, com jeitinho. Descobrindo nas horas, nos dias, nos meses, os mistérios, as belezas, a poesia escondida nos segundos que tecem a vida.
Enfim, tudo que há de bom neste tão Novo Ano Bom!
Miryan Lucy